Critica#1-Clube da luta

Junho 15th, 2007

clube da luta- critica 

Em 2005, junto com mais dois amigos, comecei a fazer um site de criticas de filme que nunca foi pra frente.

Como cinéfilo apaixonado acabei escrevendo algumas, e aproveitando a proposta desse blog de discutir todas as formas de entretenimento, vou retomar a idéia.

Vou começar com a primeira critica que escrevi sobre meu filme preferido, o Clube da luta, ela é antiga e lendo hoje, mudaria algumas coisas, mas está interessante:

Filmes como clube da luta são difíceis de acontecer, eles mexem com o público de um modo diferente, ou você o odeia ou você o ama, é 8 ou 80.
O filme ofende, nos chama de estúpidos, e nos faz pensar na mediocridade pelo que fazemos-nos passar.
Baseado no livro de Chuck Palahniuk, Clube da Luta é uma história sobre um homem (Edward Norton) que percebe que já esta por volta dos 30 anos e sua vida se resume em trabalhar para seguir um mundo imposto a ele, em que os carros, casas e roupas é que determinam quem você é.
O tempo está passando e a cada dia ele se parece mais com o pai, e o ideal de ser alguém importante como uma estrela de cinema ou um músico famoso já não é uma opção.
Então ele conhece outro homem (Brad Pitt), alguém que há muito já se cansou dessa sociedade e vive do seu próprio e inusitado jeito.
Para ele o mundo já acabou e as pessoas ainda não perceberam, elas acham que seguindo as regras vão ser alguém importante, mas na verdade são todos inúteis. Sua ideologia de transformação espiritual consiste em chegar ao fundo do poço, pois existe a possibilidade de Deus não gostar de você e você continuar seguindo Ele como um bezerro.
Tyler Durden apresenta um mundo pra esse homem em que ninguém é especial, e no final das contas todos viramos adubo, assim surge o clube da luta, um clube secreto em que pessoas cansadas desse conformismo e da espera por uma vida melhor se transformam em monstros, com uma violência com propósito, não um simples meio de se descontar a raiva, mas um meio de aprender que nada é eterno.
David Fincher coordena o filme com inteligência, colocando ritmo e pistas sobre o final imprevisível e muito chocante sem influenciar a história, mas quando vemos o filme outra vez (indispensável!) essas frases ganham um sentido totalmente diferente:
“- se acordarmos com outras roupas, em outros lugares, podemos acordar como outra pessoa?”, uma trilha sonora muito bem escolhida (como em todos os filme de Fincher).
Mas nada disso adiantaria se não fosse pelo elenco absolutamente perfeito.
Edward Norton (que na minha opinião é o melhor ator dessa geração) parece se encaixar em qualquer papel, consegue fazer um personagem perturbado e confuso, e torna possível o propósito do filme, que nos vejamos na sua pele, e que percebamos que somos o próprio personagem. Se não conseguisse passar essa imagem não haveria a ofensa.
Já Brad Pitt vive um de seus melhores papéis, você nunca sabe ao certo quem é Tyler Durden, uma hora ele é o protetor e professor, outra hora ele é insano e determinado a fazer o mundo ver pelos seus olhos, apesar de às vezes ser um pouco caricato e quase sempre falar por frases de efeito(isto tem um propósito).
Assista ao filme mais uma vez e pense nas palavras de Tyler:
“-Auto aperfeiçoamento é masturbação, mas e auto destruição?”

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